RAIAS DE ÁGUA DOCE   |   about 





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Elizabeth, 20, quase bióloga.
Muita vontade de falar coisas que ninguém quer ouvir.
E o nome do blog, entendedores entenderão.


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  Sobre a biologia, quando e por que?
Eu fui parar na biologia por acaso, e nem sabia se ia gostar. Em 2010 eu estava no último ano do ensino médio, e de repente tinha que escolher um curso para colocar como opção no PAS (ou ENEM, não lembro direito). E aí bateu aquele desespero: o que eu quero ser quando crescer?
Eu comecei a queimar neurônios tentando achar uma resposta, e até surgi com algumas coisas que eu achava que gostava. Pensei em veterinária (sabe aquele sonho de criança, de cuidar dos animais? Pois é.), psicologia (jurava que ia gostar de entender as pessoas), até história entrou na lista. O meu pai queria que eu fizesse ciências da computação. Imagina a decepção quando eu falei biologia.
E sabe porque? Porque eu adoro CSI, e quando assistia o seriado, achava que seria muito legal ser perito criminal. Abri então um edital do concurso de perito e procurei em quê eu poderia ser graduado para conseguir entrar: química, física, medicina, direito, ciências da computação, e biologia.
Minha resposta foi "nem fodendo" pras cinco primeiras, e biologia me parecia a menos pior.
Entenda: no primeiro ano eu odiava biologia, mesmo. Assim, de com força. A matéria (citologia) era um saco, a professora vivia faltando e não colocavam nunca um substituto pra ela. No segundo ano melhorou, primeiro porque o professor era uma gracinha, e segundo porque eu estudei sobre os Reinos. No terceiro ano eu tive 5 professores diferentes, isso mesmo, cinco, mas a matéria me cativou, e até hoje eu lembro o que estudei lá.
E o argumento de que eu iria ser perito criminal e ganhar 14 mil reais por mês convenceu os parentes, e aí eles concordaram em me deixar seguir a vida e entrar no Ceub.

Aí três semestres depois eu já mudei de ideia. A matéria que eu detestava me ganhou, por ser incrivelmente interessante e por eu finalmente conseguir entender o que diabos é uma mitocôndria e pra que serve um ribossomo. Descobri que amava muitas outras coisas que passei a conhecer, e cheguei à conclusão que ser perito criminal, e trabalhar analisando material genético, por mais CSI que fosse, não era pra mim.
Descobri que, apesar de não ficar rica (e todos os biólogos do Brasil estão de prova, mas Fabrício, espero resultados) o que eu preciso mesmo é fazer algo que eu tenho certeza que não vai me entediar. Algo que não vai me fazer levantar na segunda feira já perguntando se falta muito pra chegar a sexta feira. Algo que, mesmo que diretamente não fazendo a vida das pessoas diferente, ao menos vai ajudar a impedir que chegue o dia onde o único lugar em que você possa ver um animal é nos livros.

E desculpa aí pai, mas não foi dessa vez que uma cria sua ficou rica, mais sorte da próxima vez!


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